#2 Sair de casa, enfrentar pressões e resolver problemas (com amor à mistura)
Ironicamente também envolvia Matemática. E era dos únicos aos quais também devia ingressar já que o rótulo do "não tem futuro" era, para meus pais, uma perda de tempo e dinheiro. Por isso, ingressei em Contabilidade e, ainda mais irónico, gostei ainda menos desses números chatinhos - e também das "maquilhagens financeiras", subjacentes de uma lei difusa de um Código superlativo qualquer.
Foram três anos, mas não só - apesar da revolta comigo próprio, não queria desiludir. E continuei até ao terceiro, deixando uma apresentação de relatório e umas cadeiras para trás. E deixei por boa razão. Deixei mais do que um curso, deixei a casa em que vivia. Fui para outra, onde o calor se assemelhava mais a luz do que a temperatura por si só. E fui, incrivelmente, por acreditarem em mim, no amor e no futuro... Até no presente acreditam. E acredito com eles, mas mais especificamente com ela. E deixei família, amigos e todos os conhecidos da minha terra à qual chamo o começo de tudo e, até, o começo deste grande país. Guimarães, para mim, era um mundo intocável, repleto de capacidades que nenhuma outra era capacitada, especialmente no mundo artístico e cultural.
Era esse mesmo o destino, por muito que não acredite. Era no mundo das Letras que consegui ficar confortável, recheado de fantasia e realidade ao mesmo tempo. E o tempo não conseguia esperar... Até que a espera fez-se nula e prossegui para uma vila tão pequena, no entanto, tão grande pela(s) pessoa(s) que viram em mim um homem capaz de renascer.
Fui ter com o amor da minha vida. Encontrei-a pelas vias da escrita, tal como se o encontro fosse aquela frase que nos representasse ao máximo, a citação que dá a machadada do começo. Encontrei-a porque ela me leu e, felizmente, leu-me para além para palavras: leu-me pelo sentimento e pela alma. Li-a porque foi o meu aniversário. E estávamos a mais de trezentos quilómetros de distâncias portuguesas, tortuosas nas acidentadas colinas que impediam de nos ver a tal distância.
O incrível é que fui, sozinho, conquistando como D. Afonso Henriques, num Intercidades sujo das travessias de pó e sol queimante, para a Capital, num Oriente que nos vem à memória por ser a nossa primeira casa.
Até hoje é a primeira casa. E, quando voltamos para regressar, ou ir embora, reside na Gare do Oriente o sentimento de que foi ali que começou. Começou, finalmente, o meu caminho. E ela trilhou muito, muito mais do que um amigo ou amiga poderia fazer. E, hoje, partilho os quês e os porquês com a Rainha que trouxe vida à minha razão e razão à minha respiração - a casa, a cozinha, o quarto e as pessoalidades de cada um.
Trabalho. E, por muito que trabalhe para a contabilidade da sustentabilidade (o dinheiro, enfim, o cheiro dele), contabilizo os dias para que o trabalho seja futuramente outro. E seja aquele que fez com que uma relação que hoje faz exactamente dois anos fosse humanamente possível este amor que revelou ser o maior que conheci, muito mais do que nos livros e filmes comuns: simplesmente escrever. E escrever para vocês, para ela ou para mim... Desde que escreva. Esse é o meu dever!
Dedicado ao "amo-te" de todos os dias, meu docinho!


Muitas vezes ficamos confusos e acabamos por seguir caminhos que se revelam incertos, é normal, visto que muitas vezes somos, como referes, vítimas da pressão parental e da própria sociedade que nos incute que depois do secundário temos de tirar um curso.
ResponderEliminarComo se isso fosse uma regra. Mas não é e concluímos mais tarde que o melhor caminho é aquele que nos dá prazer e vontade de percorrer, isso sim é o certo e é a regra, seguirmos o que nos faz bem, o que nos parece fazer realmente feliz.
E é tão bom quando encontramos alguém para percorrer esse caminho connosco :)
Beijinhos
A regra somos nós que fazemos - ou, pelo menos, tentamos fazer. Vivemos para o prazer, a menos que sejamos masoquistas! Apesar de não ser o caminho perfeito, é o trilho que se afigura mais prazeroso e frutuoso. E acredito que um caminho não é um fim em si mas sim um meio para outros. E acompanhado pela pessoa que torna tudo mais claro é simplesmente diferente... e para melhor!
EliminarBeijocas! Muito agradecido pelo teu comentário. =)
Fico feliz por teres dado a volta às coisas e que tenhas lutado por aquilo que te faz feliz e não por aquilo que os outros querem. Que bom teres encontrado alguém assim! Que sejam muito felizes :)
ResponderEliminarÉ o poder que as pessoas têm para criarem os nossos caminhos - da felicidade, da tristeza e da fortaleza! Embora o tempo não seja muito, já se fizeram montanhas que demorariam o dobro ou o triplo do tempo em circunstâncias de paixão normais. Danke! <3
Eliminaristo é muito bonito!! :) por muito clichê que seja, a verdade é que a vida é NOSSA e, no fim do dia, estamos connosco próprios e com a nossa felicidade e é por ela que temos de lutar sem ter de provar nada a ninguém :)
ResponderEliminarr: adorei o comentário! socorro! ahahahahah
Precisamente! E provar aos outros é, em si, a prova de que conseguimos. E provar às pessoas que pensavam que a nossa luta era impossível é a melhor "chapada de luva branca" que podes infligir. <3
EliminarComentário honesto, prometo! =D
Que dedicatória tão bonita!
ResponderEliminarEsta pressão - parental ou da sociedade - só contribui para tornar o nosso caminho ainda mais confuso e, em parte, angustiante, porque acabamos por sentir que não estamos a ser quem somos, nem a seguir a rota que consideramos ser a melhor para nós. E não há pior que isso. Mas ainda bem que foste capaz de dar a volta e de traçar o percurso que melhor se adequa a ti
Obrigado, de coração!
EliminarA pressão só traz malefícios se corres atrás de um sonho. A pressão do dia-a-dia é necessária mas a da ambição nunca o é. Todos temos ritmos, formas de conseguir e de finalmente alcançar. E, como disse num comentário algures, se prosseguires com toda a tua força e desejo, a tua conquista é a prova que essa pressão é desprovida de razão.
Um beijinho! =)
r: Muito obrigada, boa semana :)
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